Mulher sofre dano cerebral grave após cirurgia considerada simples no Recife

Família acusa equipe médica de omissão e negligência durante procedimento de retirada da vesícula e correção de hérnia; Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso.

Raquelline Lôbo

3/6/20262 min ler

Uma cirurgia considerada de baixo risco terminou em uma grave complicação médica no Recife. A família de Camila Miranda de Wanderley Nogueira de Menezes, de 38 anos, afirma que ela sofreu um dano cerebral grave após uma cirurgia eletiva realizada no Hospital Esperança, unidade da Rede D'Or São Luiz, na capital pernambucana.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Pernambuco, após familiares denunciarem suposta omissão e negligência por parte da equipe médica responsável pelo procedimento.

Procedimento era considerado de baixo risco

Camila deu entrada no hospital no dia 27 de agosto de 2025 para realizar dois procedimentos cirúrgicos considerados rotineiros: retirada da vesícula biliar e correção de hérnia inguinal.

Segundo laudo pericial contratado pela família, os procedimentos são classificados como cirurgias de baixo risco, especialmente em pacientes sem comorbidades relevantes — situação que, de acordo com os documentos, era o caso da paciente.

A expectativa médica era de que Camila recebesse alta hospitalar no mesmo dia da cirurgia.

Complicação durante a cirurgia

De acordo com documentos apresentados pela família, durante o procedimento a paciente teria sofrido apneia, uma paralisação temporária da respiração.

A equipe médica envolvida era composta por:

  • Clarissa Guedes Noronha, cirurgiã responsável pelo procedimento

  • Danielle Teti, primeira auxiliar

  • Mariana Parahyba, anestesiologista

Durante a complicação, Camila sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser ressuscitada por cerca de 15 minutos.

Após o episódio, ela foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu em estado vegetativo por aproximadamente um mês.

Dano cerebral permanente

O laudo pericial aponta que Camila sofreu dano cerebral grave e permanente, provocado pela falta prolongada de oxigênio no cérebro durante o episódio ocorrido na cirurgia.

Atualmente, ela se encontra em estado semivegetativo e segue internada no próprio Hospital Esperança.

Segundo o marido da paciente, o oftalmologista Paulo José de Menezes Filho, de 42 anos, houve pequenas evoluções no quadro clínico.

De acordo com ele, Camila passou a demonstrar maior percepção do ambiente ao redor, embora ainda não consiga estabelecer uma comunicação clara.

Em alguns momentos de lucidez, ela consegue responder a estímulos simples, como apertar a mão de alguém quando solicitado.

Vida interrompida

Antes da cirurgia, Camila levava uma rotina ativa. Ela era servidora do Tribunal de Justiça de Pernambuco, além de atuar também como consultora de imagem.

A paciente é mãe de dois filhos, de 6 e 2 anos.

Segundo a família, o episódio representou uma mudança radical na vida de todos.

Investigação em andamento

O caso está sob investigação da Polícia Civil de Pernambuco, que apura as circunstâncias da complicação médica e possíveis responsabilidades.

O marido informou que o Hospital Esperança tem prestado apoio à família após o ocorrido, mas não está descartada a possibilidade de transferência da paciente para uma unidade especializada em reabilitação neurológica no futuro.

Enquanto as investigações seguem, a família busca esclarecer o que aconteceu durante a cirurgia e responsabilizar eventuais falhas no atendimento.